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Blog de sergioguedes.ap
 


RUY BARATA

 

No dia 24 de abril de 1990, eu assistia à TV Liberal, quando foi anunciada a morte de Ruy Barata. Lembro bem dos poemas e das músicas que foram mencionados em sua homenagem. Foi um dia muito triste para os que gostam de boa poesia. Ruy Barata soube incorporar como poucos em suas poesias e letras o falar do nosso povo. Na minha opinião, foi o que melhor soube expressar a alma do caboclo. Porém, ele não se limita ao regionalismo, sua obra possui também um caráter universal, abrangendo os mais diversificados temas. Ruy Barata foi político, carnavalesco, boêmio, professor, compositor, poeta, entre outras coisas. Ele era irreverente acima de tudo. Aqui vai uma lembrança e homenagem a este grande “mocorongo”.  

 

RUY BARATA (1920-1990)

 

Ruy Guilherme Paranatinga Barata nasceu em Santarém, no Estado do Pará, em 25 de junho de 1920, filho único de Maria José (Dona Noca) Paranatinga Barata e do advogado Alarico de Barros Barata. Recebeu o nome Ruy em virtude da admiração paterna por Ruy Barbosa. O indígena Paranatinga, que vem do lado materno, significa rio (paraná) branco (tinga).

Foi alfabetizado pelo pai. Aos dez anos vem para Belém para continuar os estudos. Primeiro, no internato do Colégio Moderno; depois, no Colégio Nossa Senhora de Nazaré, dirigido pelos Irmãos Maristas. Faz o pré-jurídico no Colégio Estadual Paes de Carvalho, onde tem como professor o intelectual Francisco Paulo do Nascimento Mendes, de quem se torna amigo para a vida inteira, e se inicia na poesia escrevendo na revista Terra Imatura. Em 1938, entra para a Faculdade de Direito do Pará.

Em meio aos estudos jurídicos sente aumentar a paixão pela poesia. Mergulha fundo nos poemas de Maiakovski, Garcia Lorca, T.S. Elliot, Mallarmé, Rilke, Pablo Neruda, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Murilo Mendes, Jorge de Lima, entre outros. Abre-se ao pensamento de esquerda através da leitura do Manifesto Comunista de Marx e Engels.

Em 1941, casa-se com Norma Soares Barata, com quem teve sete filhos: Maria Diva, Ruy Antônio, Paulo André, Maria Helena, Maria Inez e Cristóvão Jaques.

Em 1943, forma-se em direito e, como orador da turma, em plena ditadura do Estado Novo, faz um discurso em que pede a volta do país ao Estado de Direito e defende teses avançadas no campo da justiça social. Nessa fase, prefere trocar o exercício da advocacia pela presença na redação do jornal Folha do Norte, de Paulo Maranhão.



Escrito por sergioguedes.ap às 19h07
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Passa a freqüentar a roda de papo do Central Café, no centro de Belém, liderada pelo professor Francisco Paulo do Nascimento Mendes, onde convive e integra a mais brilhante geração de intelectuais paraenses republicanos, que gravitou em torno de Chico Mendes. Entre eles, Mário Faustino, Paulo Plínio Abreu, Benedito Nunes, Haroldo Maranhão, Waldemar Henrique Machado Coelho, Nunes Pereira, Cauby Cruz, Napoleão Figueiredo e Raimundo Moura.

Ainda em 1943, publica seu primeiro livro de poemas Anjo dos Abismos, pela José Olympio Editora, com o decisivo apoio do romancista paraense Dalcídio Jurandir.

Nessa época, o pai de Ruy, Alarico Barata, exercia forte liderança política na região do baixo amazonas contra a violência do chamado Baratismo, liderado pelo caudilho Joaquim Magalhães de Cardoso Barata.

Em decorrência dessa luta contra o autoritarismo de Magalhães Barata, Ruy Guilherme Paranatinga Barata entra na política partidária e, aos 26 anos, em 1946, é eleito deputado para a Assembléia Constituinte do Pará, pelo Partido Social Progressista – PSP. Embalado pelo clima de explosão democrática que sucedeu a vitória dos aliados contra o nazi-fascismo na Europa, nenhum tema relevante aos direitos humanos escapou da percepção do jovem deputado naquela legislatura. A luta pela paz num mundo traumatizado pela morte de milhões de seres humanos nos campos de batalha, o horror da ameaça atômica que exterminara as populações de Hiroshima e Nagasaki, o respeito à autodeterminação dos povos, o Estado de Direito no Brasil, a defesa da soberania da Amazônia e a luta contra a pobreza foram temas caros a Ruy Barata.

Foi reeleito em 1950. Em 1951, publica os poemas de A Linha Imaginária (Edições Norte, Belém). A partir daí e depois, como deputado federal (1957 a 1959), se afirma como a voz progressista no Pará em defesa do monopólio estatal do petróleo, das grandes causas nacionais e da paz mundial, nos momentos cruciais da chamada guerra fria.

Em 1959, saúda a revolução cubana com o poema Me trae una Cuba Libre/Porque Cuba livre está. Nesse mesmo ano, entra para a militância clandestina do Partido Comunista Brasileiro, o Partidão. A filiação ao PCB tem reflexo na própria criação poética, que opta por evidenciar, nessa fase, um tom político. Sua poesia busca o caminho das palavras acessíveis à compreensão popular. Denuncia claramente a miséria e a injustiça social.

 



Escrito por sergioguedes.ap às 19h06
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Nessa época, provavelmente, dá início à construção de O Nativo de Câncer, poema inacabado com força épica a contar a história de uma cultura em face da invasão de culturas estranhas, um impressionante inventário das coisas e do homem amazônico, incluindo aí o inventário do próprio poeta, um nativo de câncer. O primeiro canto do poema foi publicado em fevereiro de 1960 no jornal Folha do Norte.

Em 1964, com o golpe militar, foi preso, demitido de seu cartório (então 4º Ofício do Cível e Comércio da Comarca de Belém) e aposentado compulsoriamente do cargo de professor da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Pará, com menos de 10% de seus proventos. Para sobreviver passa a exercer a advocacia no escritório de seu pai, Alarico Barata, e escreve artigos e reportagens com pseudônimos, como Valério Ventura, para os jornais Folha do Norte e Flash.

A partir de 1967, Ruy Barata, que tinha, desde a juventude, uma estreita ligação com a música, passa a compor em parceria com seu filho, o então jovem músico e instrumentista Paulo André Barata.

Ruy mostra-se um exímio letrista para as melodias do filho. Compõem dezenas de músicas, de cunho rural e urbano, que se tornaram sucessos nacionais e internacionais.

Em 1978, lança mais um capítulo do estudo sobre a Cabanagem, a revolução paraense de 1835, cuja publicação iniciara no ano anterior pela revista do Instituto Professor Souza Marques (RJ): O Cacau de Sua Majestade, O Arroz do Marquês, A Subversão do Cacau e do Algodão, A Economia Paraense às Vésperas da Tormenta.

Em 1979, com a promulgação da Lei da Anistia, Ruy Barata é reintegrado ao quadro de professores da Universidade Federal do Pará, e volta a ensinar Literatura Brasileira. Em 1984, é publicada a primeira edição do livro Paranatinga, um estudo biográfico do poeta escrito por Alfredo Oliveira.

Ruy Barata morreu em 23 de abril de 1990, durante uma cirurgia, em São Paulo, para onde viajara a fim de coletar dados sobre a passagem de Mário de Andrade pela Amazônia.

 

"O opressor sempre impõe a sua linguagem.
O regional foge a essa imposição.
Todas as minhas letras são políticas (...).
Flagram uma realidade local e, necessariamente,
não servem a qualquer regime".

Ruy Barata

 

 



Escrito por sergioguedes.ap às 19h06
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FOI ASSIMFFWWWWWWWSKSKSKSKOIFO

I ASSIM
( Paulo André e Ruy Barata )

Foi assim,
como um resto de sol no mar,
como os lenços da preamar,
nós chegamos ao fim.

Foi assim,
quando a flor ao luar se deu,
quando o mundo era quase meu,
tu te foste de mim.

"Volta, meu bem", murmurei.
"Volta, meu bem", repeti.
"Não há canção nos teus olhos,
nem amanhã nesse adeus ! "

Horas, dias, meses se passando
e, nesse passar, uma ilusão guardei:
ver-te novamente na varanda,
a voz sumida e quase em pranto,
a murmurar "meu bem, voltei".

Hoje essa ilusão se fez em nada
e a te beijar outra mulher eu vi,
Vi no seu olhar envenenado
o mesmo olhar do meu passado
e soube então que te perdi.



Escrito por sergioguedes.ap às 19h02
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ESSE RIO É MINHA RUA
( Paulo André e Ruy Barata )

Esse rio é minha rua,
minha e tua mururé,
piso no peito da lua,
deito no chão da maré.

Refrão:
Pois é, pois é,
eu não sou de igarapé,
quem montou na cobra grande,
não se escancha em puraquê.

Rio abaixo, rio acima,
minha sina cana é,
só em falá da mardita
me alembri de Abaeté.

Refrão

Me arresponde bôto preto
que te deu esse pixé
foi limo de maresia
ou inhaca de mulhé.

Refrão

PAUAPIXUNA
( Paulo André e Ruy Barata )

Uma cantiga de amor se mexendo,
uma tapuia no porto a cantar,
um pedacinho de lua nascendo
uma cachaça de papo pru ar.

Um não sei que de saudade doendo,
uma saudade sem tempo ou lugar,
uma saudade querendo, querendo,
querendo ir e querendo ficar.

refrão:
Uma leira, uma esteira,
uma beira de rio,
um cavalo no pasto,
uma égua no cio,
um princípio, de noite,
um caminho vazio,
uma leira, uma esteira,
uma beira de rio.

E no silêncio uma folha caída,
uma batida de remo a passar,
um candeeiro de manga comprida,
um cheiro bom de peixada no ar.

Uma pimenta no prato espremida,
outra lambadadepois do jantar,
uma viola de corda curtida,
nesta sofrida sofrência de amar.

refrão

E o vento espalhado na capoeira,
a lua na cuia do bamburral,
a vaca mugindo lá na porteira,
e o macho fungando lá no curral.

O tempo tem tempo de tempo ser,
o tempo tem tempo de tempo dar,
ao tempo da noite que vai correr,
o tempo do dia que vai chegar.

refrão



Escrito por sergioguedes.ap às 19h01
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VIVENDO A POESIA, APESAR DE TUDO

 

A vida é feita de amenidades, mas às vezes ocorrem alguns instantes de extrema rudeza. E por mais que nós queiramos fechar os olhos para os momentos de desencanto, não há como não ser machucado por eles. Confesso que fiquei extremamente chocado com os dois acidentes automobilísticos ocorridos ontem aqui em Macapá. Os dois envolvendo motos, pra variar.

Eu tive a infelicidade de assistir as imagens do acidente que ocorreu no sambódromo por ocasião do arrancadão. Foi algo impressionante, estúpido, arrebatador! Em frações de segundo, duas vidas desapareceram no ar, como fumaça. De repente,não mais que de repente, como escreveu Vinícius, do riso fez-se o pranto. E o que era diversão, tornou-se aflição. E o que era um espetáculo, virou uma tragédia. Meu Deus, como são efêmeros os segundos! Quão frágil somos nós!

Ouvi a descrição do outro acidente, feita por um repórter, e fiquei mais estarrecido ainda. Quanta crueza! Quanta barbaridade!

Agora há pouco, voltando do trabalho, eu olhei com muito mais amor para todas as coisas: as árvores, o céu, o sol, a chuva fina que caiu, as pessoas nas calçadas, as crianças, os enfeites de Natal... Procurei explorar cada bom sentimento que a vida pode me oferecer e, apesar das farpas do destino, eu senti a esperança pulsando em mim. E eu continuei a sonhar e a viver a poesia...  



Escrito por sergioguedes.ap às 19h53
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