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 Kiara Guedes




Blog de sergioguedes.ap
 


TEXTO DE CAETANO VELOSO NO EXÍLIO EM LONDRES

 

Transcrevo abaixo um texto de Caetano Veloso escrito durante o seu exílio em Londres.  Para quem não sabe, Caetano junto com Gilberto Gil foram “convidados” a se retirar do Brasil durante a ditadura militar. Nesse texto, ele demonstra uma certa amargura e tristeza por estar vivendo naquele ambiente hostil. Uma passagem interessante é quando Caetano narra a visita do Rei (Roberto Carlos). Nesse dia, segundo o que disse o próprio Caetano em uma entrevista, Roberto Carlos cantou para eles a música As curvas da estrada de Santos; ao ouvi-la, Caetano, chorou copiosamente. Ele acha que foi por esse motivo que Roberto Carlos compôs em sua homenagem, ao voltar para o Brasil, a música Debaixo dos caracóis dos seus cabelos.  

 

“Hoje quando eu acordei eu dei de cara com a coisa mais feia que já vi na minha vida. Essa coisa era a minha própria cara. Eu sou um sujeito famoso no Brasil, muita gente me conhece. Eu acredito que a maneira pela qual esse conhecimento se dá pode dizer muito a mim mesmo sobre mim. Acho que uma capa de revista pode ser como um espelho para um homem famoso. Quando um homem vê a sua cara no espelho ele vê objetivamente em que estado a vida o deixou.

O vídeo-tape, a fotografia colorida e as manchetes que incluem o nome de um homem famoso são também assim como o espelho. Durante todo o tempo em que eu estive trabalhando em música popular no Brasil, eu sempre levei em conta esse fato. E eu pensava que estivesse fazendo alguma coisa, pois a imagem que me era devolvida era de alguém vivo, em movimento, passando realmente por entre as coisas. 

Hoje eu fui à aula de inglês e Mr. Lee me ensinou como usar direct speech em lugar de reported speech. Depois da aula King’s Road estava sem beleza sob uma chuva fria e crônica. Eu atravesso as ruas sem medo, pois eu sei que eles são educados e deixam o caminho livre para eu passar. Mas eu não estou aqui e não tenho nada com isso.

Estou andando como os homens, com meus dois pés. Não penso em fazer nada. Alguém entende o que seja isso?

O cara que me vende cigarro no Picasso fala espanhol. Na janela da casa onde estou morando tem uns gerânios que já estão secando por causa do outono. Meu coração está cheio de um ódio opaco. As crianças inglesas são belas e agressivas. A rainha Elizabeth está pedindo aumento de salário. Eu não dependo disso tudo. Nada disso depende de mim. O aspirador não serve pra limpar as cortinas porque é muito pesado. Aqui em casa. O Rei esteve ontem aqui em casa e eu chorei muito. Se você quiser saber quem eu sou posso lhe dizer: entre no meu carro, na estrada de Santos você vai me conhecer.

Talvez alguns caras no Brasil tenham querido me aniquilar; talvez tudo tenha acontecido por acaso. Mas eu agora quero dizer aquele abraço a quem quer que tenha querido me aniquilar porque o conseguiu. Gilberto Gil e eu enviamos de Londres aquele abraço para esses caras. Não muito merecido porque agora sabemos que não era tão difícil assim nos aniquilar. Mas virão outros. Nós estamos mortos.

Ele está mais vivo do que nós.

 

             27/11 a 02/12/1969”

                                               

Escrito por sergioguedes.ap às 09h59
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DEBAIXO DOS CARACÓIS DOS SEUS CABELOS

(Roberto Carlos e Erasmo Carlos)

Um dia a areia branca seus pés irão tocar
E vai molhar seus cabelos a água azul do mar
Janelas e portas vão se abrir pra ver você chegar
E ao se sentir em casa, sorrindo vai chorar

| Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
| Uma história pra contar de um mundo tão distante
| Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
| Um soluço e a vontade de ficar mais um instante

As luzes e o colorido que você vê agora
Nas ruas por onde anda, na casa onde mora
Você olha tudo e nada lhe faz ficar contente
Você só deseja agora, voltar pra sua gente

Debaixo dos caracóis...

Você anda pela tarde e o seu olhar tristonho
Deixa sangrar no peito uma saudade, um sonho
Um dia vou ver você chegando num sorriso
Pisando a areia branca que é seu paraíso

 



Escrito por sergioguedes.ap às 09h57
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BRASIL: MISTURA DE RAÇAS

 

O que faz o Brasil ser um país único no mundo é o fato de nós sermos o maior país da América do Sul, único a falar o português e a possuir uma mistura de raças como em nenhuma outra parte da Terra. Para cá vieram italianos, alemães, portugueses, holandeses, africanos...e se misturaram com os índios: dando origem à nossa raça, que é tudo e ao mesmo tempo não é nada. Somos a soma de diversas línguas, de diversas culturas, de diversos cultos...Não importa de onde tenham vindo nossos antepassados, hoje somos brasileiros. Portanto, acho que há um equívoco quando uma cartilha sugere que é politicamente correto chamar o negro de afro-descendente e não do que seria o óbvio, de negro que é a sua raça. Já imaginaram se a moda pega! Daqui a pouco surgirão os ítalos-descendentes, os anglos-descendentes, os francos-descendentes etc. De repente, nosso país se verá dividido em diversas pequenas comunidades de migrantes que para cá vieram e, através, da miscigenação construíram o que nós somos. O negro não será menos discriminado se for chamado de afro-descendente, pelo contrário, essa mudança de denominação ensejou uma série de piadas de mau gosto.

Repito o que eu já tenho dito por várias vezes: sou totalmente a favor de que as pessoas que cometam atos de racismo sejam punidas exemplarmente; sou totalmente a favor da causa dos negros, e de qualquer segmento da sociedade que seja vítima de preconceito. Porém, eu acho que os mecanismos que têm sido utilizados na tentativa de enfrentar a discriminação sofrida pelos negros têm se mostrado demagógicos e equivocados. Sou contra as cotas, pois num breve espaço de tempo, acredito eu, elas serão motivo de discórdia entre os negros e as outras raças. Sou contra a criação de centro de cultura de uma determinada raça em nosso país, haja vista, que somos o resultado de várias etnias. Tenho certeza de que os negros não veriam com bons olhos a criação de um centro de cultura da raça branca.

Na minha opinião, a melhor maneira de combatermos o preconceito é tentarmos, cada vez mais, enraizar na alma do nosso povo que essa mistura de etnias, que a convivência com os contrastes é o que nos faz sermos um povo alegre, feliz, apesar das agruras do cotidiano. A diminuição do preconceito está na junção e não na separação das raças. Temos que sentir orgulho de numa mesma família termos pessoas brancas, pessoas negras, índios, portugueses, espanhóis etc. Isso sim fará diferença.

Sei que muitos não concordam como meu ponto de vista, mas esta é a minha opinião.      

 

     



Escrito por sergioguedes.ap às 22h22
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A VER NAVIOS

 

Se as minhas palavras se perdem no nada

Não me importo

Nem se estou só no porto

 

A ver navios

Eu apenas me entrego a este vôo

E flutuo sobre o rio

 

Arrebento meus sonhos da alma

Inundo meu olhar absorto

Se a vida é um salto louco

 

Eu corro pros seus tentáculos

Quero estar preso a ela

Ser herói neste espetáculo

 

Se as minhas palavras têm um fundo oco

É que a poesia é infinita

Não tem estorvos

 

Estou no porto a ver navios

Sensações viajam

Pelo meu sangue caboclo

 

            Sérgio Guedes 

 

 

 



Escrito por sergioguedes.ap às 20h34
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    A RUA DAS RIMAS

         Guilherme de Almeida         

A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino pequenino
é uma rua de poeta, reta, quieta, discreta,
direita, estreita, bem feita, perfeita,
com pregões matinais de jornais, aventais nos portais, animais e varais nos quintais;
e acácias paralelas, todas elas belas, singelas, amarelas,
douradas, descabeladas, debruçadas como namoradas para as calçadas;
e um passo, de espaço a espaço, no mormaço de aço baço e lasso;
e algum piano provinciano, quotidiano, desumano,
mas brando e brando, soltando, de vez em quando,
na luz rara de opala de uma sala uma escala clara que embala;
e, no ar de uma tarde que arde, o alarde das crianças do arrabalde;
e de noite, no ócio capadócio,
junto aos lampiões espiões, os bordões dos violões;
e a serenata ao luar de prata (Mulata ingrata que mata...);
e depois o silêncio, o denso, o intenso, o imenso silêncio...
A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino pequenino
é uma rua qualquer onde desfolha um malmequer uma mulher que bem me quer
é uma rua, como todas as ruas, com suas duas calças nuas,
correndo paralelamente, como a sorte diferente de toda gente, para a frente,
para o infinito; mas uma rua que tem escrito um nome bonito, bendito, que sempre repito
e que rima com mocidade, liberdade, tranqüilidade: RUA DA FELICIDADE...

 

 



Escrito por sergioguedes.ap às 16h51
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A PRIMEIRA APARIÇÃO DE CHICO BUARQUE NO JORNAL

 

(...) No sem-assunto de umas férias de verão, por exemplo, em dezembro de 1961, Chico e seu vizinho Olivier (que viria a ser um respeitado executivo da área financeira, além de competente baterista) acharam boa idéia “puxar” um carro e dar umas voltinhas. Essa prática, que a lei chama de furto de uso, era então muito comum entre os chamados filhos de boas famílias – os playboys, como diziam os jornais: em 1962, a Delegacia de Furtos de Veículos de São Paulo revelou que a grande maioria dos automóveis “puxados” na cidade no ano anterior serviu para animados passeios noturnos.

     Chico e Olivier escolheram um velho Peugeot, placa 3-2670, que estava estacionado na rua Sorocaba (depois Professor Ernest Marcus), perto de casa. Como o personagem do samba Pivete, que ele haveria de compor muitos anos depois, arrombaram a porta, fizeram a ligação direta e engataram uma primeira. Foi tão fácil que, dias mais tardes reincidiram. Só que, naquela madrugada de 29 de dezembro, o cidadão Murilo Forjav Mathias, dono do carro, tivera o cuidado de retirar o “cachimbo”, peça sem a qual o automóvel não dá partida. O Peugeot, por isso, não pegou, mas por gravidade desceu a rua Sorocaba, deslizou em frente à casa dos Buarque de Hollanda e chegou à rua Capivari, atrás do estádio do Pacaembu, onde encontrou uma subida e parou. Estavam os dois motoristas tentando fazê-lo funcionar quando passou uma viatura da Ronda R-2.

     Confundidos com os integrantes de uma quadrilha de “puxadores” (“caranguejeiros”, como se dizia) profissionais, começaram a apanhar ali mesmo. Em seguida foram algemados. A pancadaria continuou no furgão da polícia e só terminou na Divisão de Investigações, na rua Brigadeiro Tobias, quando Chico e Olivier, que tinham dezessete e dezesseis anos, conseguiram provar que eram menores – tiveram que jurar com a mão sobre a Bíblia, literalmente. Foram levados então para o Juizado de Menores, onde passaram a noite numa cela em companhia de um garoto que havia roubado um cavalo. Como o professor Sérgio e dona Maria Amélia (pais de Chico) estavam viajando, coube a Miúcha (irmã de Chico) tirá-lo da cana, no final do dia, quando a notícia já podia ser lida no vespertino Última Hora, sob o título “Pivetes furtaram um carro: presos”. Na foto, os dois, com aquelas tarjas pretas encobrindo os olhos, são apresentados como “os pivetes F.B.H. e O.J.”. “Acho que foi a primeira vez que apareci no jornal”, desconfia Chico. (Seis anos mais tarde, exatamente, também num 29 dezembro, a imprensa haveria de abrir largos espaços para relatar a entrega do título de cidadão honorário paulistano ao pivete de 1961.) o castigo, para ele, seria duríssimo: até o dia 19 de junho, quando fez dezoito anos, ficou sob a custódia dos pais, sem poder sair sozinho à noite. Passado em casa, o carnaval de 1962 foi para Chico inesquecível.

 

Do livro “CHICO BUARQUE, letra e música 1. Companhia 

          Das Letras. 2ª edição. Pgs. 20-21.



Escrito por sergioguedes.ap às 16h28
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