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Blog de sergioguedes.ap
 


       MINHAS CONCLUSÕES

 

     A artilharia pesada dos candidatos começou. Todo mundo está atirando para todos os lados. Quem está no poder não quer sair e quem está fora está louco para entrar. O difícil é saber no meio deste tiroteio todo quem está dizendo a verdade. Cada um tem o seu próprio jeito de expressar os fatos que ocorrem. Vale tudo!!! Eu já tirei as minhas conclusões. Todo mundo deve tirar as suas, sem se deixar levar pelas paixões políticas. Afinal, paixão política sempre acaba em traição. Tenhamos amor a nós mesmos e às pessoas menos afortunadas deste país que pagarão caro por uma má escolha!       



Escrito por sergioguedes.ap às 19h36
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      O PASQUIM

     O Pasquim foi o primeiro e mais influente jornal de oposição à ditadura militar no Brasil. O projeto nasceu no final de 1968 após uma reunião entre o cartunista Jaguar e os jornalistas Tarso de Castro e Sérgio Cabral; o trio buscava uma opção para substituir o tablóide humorístico A carapuça, de Sérgio Porto (que acabara de falecer). O nome foi sugestão de Jaguar, inspirado na história de um monsenhor italiano chamado Pasquino, que segundo a lenda escrevia fofocas e notícias para serem lidas em praça pública.

     Com o tempo figuras de destaque na imprensa brasileira, como Ziraldo, Millôr, Prósperi, Claudius e Fortuna, se juntaram ao time, e a primeira edição finalmente saiu em 26 de junho de 1969.

      Trajetória

     De uma tiragem inicial de 20 mil exemplares, que a princípio parecia exagerada, o semanário atingiu a marca de mais de 200 mil em seu auge, em meados dos anos 70, se tornando um dos maiores fenômenos do mercado editorial brasileiro. A princípio uma publicação comportamental (falava sobre sexo, drogas, feminismo e divórcio, entre outros) o Pasquim foi se tornando mais politizado a medida que aumentava a repressão da ditadura, principalmente após a promulgação do repressivo ato AI-5. O Pasquim passou então a ser porta-voz da indignação social brasileira.

     Além de um grupo fixo de jornalistas, a publicação contava com a colaboração de nomes como Henfil, Paulo Francis, Ivan Lessa e Sérgio Augusto, e também dos colaboradores eventuais Ruy Castro e Fausto Wolff.

     Em novembro de 1970 a redação inteira do Pasquim foi presa depois que o jornal publicou uma sátira do célebre quadro de Dom Pedro às margens do Ipiranga, (de autoria de Pedro Américo). Os militares esperavam que o semanário saísse de circulação e seus leitores perdessem o interesse, mas durante todo o período em que a equipe esteve encarcerada - até fevereiro de 1971 - o Pasquim foi mantido sob a editoria de Millôr Fernandes (que escapara à prisão), com colaborações de Chico Buarque, Antônio Callado, Rubem Fonseca, Odete Lara, Gláuber Rocha e diversos intelectuais cariocas.

     As prisões continuariam nos anos seguintes, e na década de 80 bancas que vendiam jornais alternativos como o Pasquim passaram a ser alvo de atentados a bomba. Aproximadamente metade dos pontos de venda decidiu não mais repassar a publicação, temendo ameaças. Era o início do fim para o Pasquim.

     O jornal ainda sobreviviveria à abertura política de 1985, mesmo com o surgimento de inúmeros jornais de oposição. Graças aos esforços de Jaguar, o único da equipe original a permanecer no Pasquim, o semário continuaria ativo até a década de 90. A última edição, de número 1.072, saiu em 11 de novembro de 1991.

 



Escrito por sergioguedes.ap às 19h16
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             HISTÓRIA DE “CAJUÍNA” 

 

        Abaixo transcrevo a história de uma das mais belas canções da MPB,composta por Caetano Veloso. Para entendermos melhor a história, é necessário que conheçamos um pouco da vida de Torquato Neto, um dos maiores compositores do movimento tropicalista.   

 

 

                TORQUATO NETO

 

Torquato Pereira de Araújo Neto nasceu em Teresina, Piauí, em 09 de Novembro de 1944. Filho de promotor público e professora primária, estudou no mesmo colégio que Gilberto Gil, em Salvador, tornando-se amigo do compositor e conhecendo também os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia.

Em 1962 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde iniciou um curso de Jornalismo. Sem o diploma, começou a exercer a profissão em diversos jornais cariocas. 

Foi um dos mentores intelectuais do movimento tropicalista, participou da famosa capa do LP Tropicália ou Panis et Circenses (sentado ao lado de Gal Costa) - nesse disco estão incluídas duas de suas composições: Mamãe, Coragem e Geléia Geral (considerada o verdadeiro manifesto tropicalista).

Um dia após completar 28 anos de idade, ligou o gás do banheiro e suicidou-se. Deixou um bilhete: "Tenho saudade, como os cariocas, do dia em que sentia e achava que era dia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega! Não sacudam demais o Thiago, que ele pode acordar"

Era 10 de novembro de 1972 - e o Brasil perdia um de seus maiores e mais geniais poetas.

 

 

            CAETANO VELOSO FALA DE CAJUÍNA


Numa excursão pelo Brasil com o show Muito, creio, no final dos anos 70, recebi, no hotel em Teresina, a visita de Dr. Eli, o pai de Torquato. Eu já o conhecia pois ele tinha vindo ao Rio umas duas vezes. Mas era a
primeira vez que eu o via depois do suicídio de Torquato. Torquato estava, de certa forma, afastado das pessoas todas. Mas eu não o via desde minha
chegada de Londres: Dedé e eu morávamos na Bahia e ele, no Rio (com temporadas em Teresina, onde descansava das internações a que se submeteu por instabilidade mental agravada, ao que se diz, pelo álcool). Eu não o vira em Londres: ele estivera na Europa mas voltara ao Brasil justo antes de minha chegada a Londres. Assim, estávamos de fato bastante afastados, embora sem ressentimentos ou hostilidades. Eu queria muito bem a ele. Discordava da atitude
agressiva que ele adotou contra o Cinema Novo na coluna que escrevia, mas nunca cheguei sequer a dizer-lhe isso. No dia em que ele se matou, eu estava
recebendo Chico Buarque em Salvador para fazermos aquele show que virou disco famoso. Torquato tinha se aproximado muito de Chico, logo antes do tropicalismo: entre 1966 e 1967. A ponto de estar mais freqüentemente com Chico do que comigo. Chico eu eu recebemos a notícia quando íamos sair para o Teatro Castro Alves. Ficamos abalados e falamos sobre isso. E sobre Torquato ter estado longe e mal. Mas eu não chorei. Senti uma dureza de ânimo dentro de mim. Me senti um tanto amargo e triste mas pouco sentimental. Qaundo, anos depois, encontrei Dr. Eli, que sempre foi uma pessoa adorável, parecidíssimo com Torquato, e a quem Torquato amava com grande ternura, essa dureza
amarga se desfez. E eu chorei durantes horas, sem parar. Dr. Eli me consolava, carinhosamente. Levou-me à sua casa. D. Salomé, a mãe de Torquato, estava
hospitalizada. Então ficamos só ele e eu na casa. Ele não dizia quase nada. Tirou uma rosa-menina do jardim e me deu. Me mostrou as muitas fotografias de Torquato distribuídas pelas paredes da casa. Serviu cajuína para nós dois. E bebemos lentamente. Durante todo o tempo eu chorava. Diferentemente do dia da morte de Torquato, eu não estava triste nem amargo. Era um sentimento terno e bom, amoroso, dirigido a Dr. Eli e a Torquato, à vida. Mas era intenso demais e eu chorei. No dia seguinte, já na próxima cidade da excursão, escrevi Cajuína.


A letra


CAJUÍNA
Caetano Veloso

Existirmos a que será que se destina
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina
Tampouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A cajuína cristalina em Teresina



Escrito por sergioguedes.ap às 11h13
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             A “LEI DE GÉRSON”

Segue a Lei de Gérson a pessoa que "gosta de levar vantagem em tudo", no sentido negativo de aproveitar-se de todas as situações em benefício próprio, sem importar-se com a ética. A expressão originou-se em uma propaganda, em meados da década de 70, dos cigarros Vila Rica, na qual o meia armador Gérson da Seleção Brasileira de Futebol era o protagonista. Gérson sempre foi um jogador polêmico, muito discutido em sua carreira na qual constam atos de violência em campo, como por exemplo o fato de ter quebrado a perna de três jogadores.

A propaganda dizia que esta marca de cigarro era vantajosa por ser melhor e mais barata que as outras, e Gérson dizia no final:

“VOCÊ TAMBÉM GOSTA DE LEVAR VANTAGEM EM TUDO, CEEEERRTO?”

 

Mais tarde, o jogador anunciou o arrependimento de ter associado sua imagem ao reclame, visto que qualquer comportamento pouco ético foi sendo aliado ao seu nome nas expressões Síndrome de Gérson ou Lei de Gerson.

Este ideal subjacente à "lei de Gerson" é, indiscutivelmente, um dos valores mais arraigados à cultura brasileira. Embora nem sempre verbalizado, a valorização e a mitificação desta "lei", do conceito de malandragem, do uso de "pistolões" ou de "cunhas" são aqueles dos comportamentos socialmente condicionados que em grande parte levam o Brasil a manter-se tão imaturo cultural, política e socialmente. A forma como se dá a política brasileira, tão mal-dita, antes de ser a causa dos problemas brasileiros, é, senão exclusivamente, ao menos simultaneamente conseqüência de valores tão maléficos.



Escrito por sergioguedes.ap às 19h12
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                DEBATE POLÍTICO             

 

 

              O debate político só é proveitoso se ambas as partes se propuserem a discutir de maneira racional, apresentando as suas propostas sem partir para ofensas pessoais ou radicalismo que acabam ofuscando o objetivo real desses embates.

              O que eu tenho notado é que os ataques desferidos nos programas políticos acabam passando para a população,e aí eu me incluo, que no final das contas ninguém é santo. Se tudo que um candidato diz do outro for verdade, estamos perdidos, sem opção nenhuma. Só nos restará cair no lugar-comum e repetir a velha idéia de que devemos escolher “o menos pior”. “O rei está nu!” ou “Os reis estão nus!” E não é preciso que a inocência de uma criança nos faça ver isto: a verdade está posta por si só.

              Eu, como qualquer cidadão, tenho a minha visão política, e não vejo necessidade de torná-la pública, não é questão de ficar em cima do muro, apenas acho que contribuo muito mais tentando apresentar os fatos com isenção, deixando com que cada um tire as suas próprias conclusões. Vou repetir o que já disse uma vez: não acho certo tratar de uma disputa política como se fosse a disputa de uma partida de futebol (ou outro esporte qualquer.). As pessoas se rotulam de “amarelas”, “azuis”, “vermelhas”, “verdes” etc.;  se perdem em bate-bocas infindáveis e esquecem de lembrar que a eleição é muito mais que um jogo. A discussão no plano das idéias desaparece por entre agressões; e o “vale-tudo para ganhar” acaba superando os mais sólidos conceitos de ética e decência.

              Não tenho cor alguma, tenho ideais. Não torço por ninguém, apenas exponho meus pensamentos e tento convencer com argumentos plausíveis quem não concorda comigo. Milhares de pessoas pensam como eu, e isso me dá força para continuar acreditando que só conseguiremos mudar o panorama do nosso país quando o bem comum estiver acima das paixões pessoais por um candidato ou por um partido político.                                 



Escrito por sergioguedes.ap às 23h50
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                                                     ALCY ARAÚJO                                         

                 

          Tomei a liberdade de publicar em meu blog esta verdadeira obra de arte. Alcy Araújo é um poeta que precisa urgentemente ocupa um lugar de destaque  na nossa literatura. Vejam só que poema maravilhoso. Um escritor como este não pode jamais cair no ostracismo. Leiam e divulguem.

 

PARTICIPAÇÃO

Alcy Araújo

Estou convosco.
Participo dos vossos anseios coletivos.
Vim unir meu grito de protesto
ao suor dos que suaram
nos campos e nas fábricas.
Aqui estou
para juntar minha boca
às vossas bocas no clamor pelo pão
sancionar com este rumor que vai crescendo
a petição de liberdade.
Estou convosco.
Para unir meu sangue ao sangue
dos que tombaram
na luta contra a fome e a injustiça
foram vilipendiados em sua glória
de mártires
de heróis.
Vim de longe
percorrendo desesperos.
Das docas agitadas de Hamburgo
das plantações de banana da Guatemala
dos seringais quentes do Haiti.
Vim do cais angustiado de Belém
dos poços de petróleo do Kuwait
das minas de salitre do Chile.
Passei fome nos arrozais da China
nos canaviais de Cuba
entre as vacas sagradas da Índia
ouvindo música de jazz no Harlem.
Afundei nas geladas estepes russas.
Morri ontem no Canal da Mancha
e hoje no de Suez.
Tombei nas margens do Reno
e nas areias do Saara
lutando pela vossa liberdade
pelo vosso direito de dizer
e de amar.
Estou convosco
Voluntariamente aumento o efetivo
dos que não se conformam
em viver de joelhos
morrendo sufocando lágrimas
nas frentes de batalha
nas prisões
para dar à criança recém-parida
o riso negado aos vossos pais
o pão que falta em vossas mesas.
Meu filho
e o filho do meu filho
saberão que o meu poema não se omitiu
quando vossas vozes fenderem o silêncio
e ecoarem inutilmente nos ouvidos de Deus.
--------------
Poeta, escritor e jornalista, Alcy Araújo Cavalcante, meu pai, nasceu em Belém do Pará em 7 de janeiro de 1924 e morreu em Macapá-AP no dia 22 de abril de 1989. Publicou três livros e deixou várias obras inéditas. O poema Participação faz parte do livro Poemas do Homem do Cais, lançado no Rio de Janeiro em 1983.

 

Poema retirado do blog: alcineacavalcante.blogspot.com

                   



Escrito por sergioguedes.ap às 00h15
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            CAETANO VELOSO X FAGNER  

 

       

        Ontem à noite, no programa Fantástico, o cantor Caetano Veloso me surpreendeu ao dizer que “...diria com um certo prazer que Fagner é uma besta”. Não sabia da existência de atrito algum entre esses dois ídolos da MPB, talvez eu estivesse mal informado; então, resolvi correr atrás de mais detalhes e acabei encontrando uma reportagem na revista Veja (edição 1928) em que Fagner fala sobre a origem do desentendimento. Abaixo transcrevo o trecho em que Fagner fala de Caetano:

 

 

“ Veja – O senhor disse que admira Caetano Veloso, mas já teve diversas brigas com ele que se tornaram públicas. Qual a razão desses desentendimentos?
Fagner – Tem uma história que diz que baiano não "nasce", baiano "estréia". E Caetano tem um problema de ego: quer sempre aparecer. Quando não tem assunto, vai à mídia e diz que é melhor que o Chico Buarque e o Milton Nascimento juntos.

Veja – E por que vocês brigam?
Fagner – A primeira briga que tive com Caetano foi logo quando cheguei do Ceará. Ele convidou a mim e a outros artistas para irmos a sua casa, no Rio de Janeiro. Eu era um novato na turma, nem tinha gravado nada ainda, acho que era no comecinho dos anos 70. Começaram a pedir que ele cantasse. Ele não quis, disse que estava cansado. Eu, então, peguei meu violão e cantei. Todo mundo adorou, menos Caetano, que fechou a cara. Tempos depois, eu estava conversando com Nara Leão quando ele chegou e se pôs de costas para mim. Nunca mais pisei na casa dele.

Veja – Não foi a única briga de vocês...
Fagner – Teve outra. Eu morava no Rio e era começo dos anos 80. Estávamos eu, Roberto Carlos e ele preparando uma canção para o "Nordeste já". Foi uma mobilização de artistas para angariar fundos para o Nordeste, que havia passado por uma seca enorme. O Roberto, com aquele jeito apaziguador, começou a falar como era legal o fato de eu e Caetano estarmos juntos, depois de brigarmos tanto. Daí, o Caetano foi se lembrando das brigas e se zangando. Eu sabia que ele estava com fome e fui para a cozinha fazer alguma coisa para ele comer. Mas na minha geladeira só tinha um ovo. Fiz o ovo e vinha vindo com ele para dar a Caetano, mas ele continuou falando, falando, querendo confusão. Bom, terminei entrando no pau e jogando o ovo de Caetano no chão. Ele sabe que, comigo, é no tapa. Mas digo: sou doido por Caetano.”

 

        E aí, do lado de quem você fica?



Escrito por sergioguedes.ap às 21h13
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         Este post vai para Orvallio que me pediu informações sobre Fauzi Arap. Então aí está...   

 

 

          FAUZI ARAP (São Paulo-SP, 1938)

     Diretor, autor e ator. Sempre fora dos esquemas de produção tradicionais, Fauzi Arap imprime em seus trabalhos como diretor e autor uma expressão original, assimilando a poesia e a liturgia da contracultura dos anos 70.

     Formado em engenharia civil, sua trajetória profissional se consolida no teatro. Começa como ator no fim dos anos 50, ainda na fase amadora do Teatro Oficina, e participa da primeira montagem profissional do grupo em 1961, A Vida Impressa em Dólar, de Clifford Odetts, direção de José Celso Martinez Corrêa, quando recebe os prêmios Saci e Governador do Estado de melhor ator coadjuvante. Afirma-se como ator tanto em montagens do Oficina como do Teatro de Arena, tais como: José, do Parto à Sepultura, de Augusto Boal, direção Antônio Abujamra, no Oficina, 1961; A Mandrágora, de Maquiavel, direção Augusto Boal, no Arena, 1962. No ano seguinte, em Pequenos Burgueses, de Máximo Gorki, substituindo Raul Cortez, alcança brilhante desempenho realista, transfigurando-se no bêbado Teteriev; faz ainda Andorra, de Max Frisch, 1964; ambas direções de José Carlos pelo Oficina. Junto ao Grupo Decisão, está em O Inoportuno, de Harold Pinter, recebendo elogiosa crítica de Décio de Almeida Prado. 

     A primeira direção se dá em 1965, com Perto do Coração Selvagem, obra de Clarice Lispector adaptada por ele. Em 1967 dirige e interpreta (dividindo o palco com Nelson Xavier) Dois Perdidos Numa Noite Suja, de Plínio Marcos. Em 1968, Tônia Carrero o convida para dirigi-la em Navalha na Carne, também de Plínio Marcos, peça que obtém estrondoso sucesso. 

Aos 29 anos, abandona a carreira de ator para dedicar-se à direção. Como diretor, lança importantes nomes da dramaturgia nacional. Além do já citado Plínio Marcos, traz à cena Abre a Janela e Deixa o Ar Puro Entrar e o Sol da Manhã, do então jovem estreante Antônio Bivar, produção do Teatro Maria Della-Costa – TMDC, em 1968; revela ao público a poética contundente de José Vicente ao dirigir O Assalto em 1969, que conta com Ivan de Albuquerque e Rubens Corrêa. Projeta nacionalmente o nome de Maria Bethânia ao dirigi-la no show Rosa dos Ventos, de 1971, valorizando a forte presença cênica da cantora.

     A carreira como autor tem início com Pano de Boca, 1975, na qual faz um balanço dos caminhos e descaminhos do teatro brasileiro nos anos 60 e 70, inspirando-se livremente nos fatos que dilaceraram o Teatro Oficina. Recebe os prêmios Molière de melhor autor e Associação Paulista de Críticos de Artes, APCA, de melhor diretor por O Amor do Não, 1977. Mais tarde, em 1983 leva o Mambembe de melhor autor em Quase 84, dirigido por Ivan de Albuquerque. Em 1986, volta a chamar a atenção pela direção em Uma Lição Longe Demais, de Zeno Wilde. Em 1987, é superpremiado à frente do Projeto Tese em Ação – Rosa dos Ventos do Teatro Brasileiro – T.A.R.Ô., que ocupa o Teatro de Arena Eugênio Kusnet por dois anos, com o qual se mostra um ativo fomentador da produção cultural. Nesse projeto dirige Às Margens do Ipiranga, de sua autoria, na qual procura reproduzir, sobre a trajetória do Teatro de Arena, uma análise afetiva semelhante à que realizara com relação ao Oficina em Pano de boca. No fim dos anos 90, obtém êxitos na direção de diferentes gêneros, como no drama poético Santidade, peça de José Vicente censurada em 1968, e na comédia Caixa 2, de Juca de Oliveira, Prêmios Shell de melhor direção por ambos os trabalhos.  

     Fauzi Arap é tido como pioneiro na direção de shows musicais no Brasil e também, reconhecidamente, um dos melhores diretores do país. Em 1971, trabalha como terapeuta voluntário na Casa das Palmeiras, centro psiquiátrico anticonvencional dirigido pela doutora Nise da Silveira, quando mergulha nas obras de Jung. Sua autobiografia, Mare Nostrum – Sonhos, Viagens e Outros Caminhos, 1998, revela a trajetória de um homem que busca na vida e no teatro uma existência integral.



Escrito por sergioguedes.ap às 10h12
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        COTAS NAS UNIVERSIDADES

 

      Considero a reserva de cotas nas universidades um grande equívoco. A meu ver, o único resultado que esse tipo de programa vai conseguir em curtíssimo prazo é a exacerbação do racismo em nosso país. Pessoas que até então não tinham qualquer tendência à discriminação por causa da cor, começarão a ver nos negros um fator de discórdia, pois eles representarão uma ameaça a seus amigos, a seus filhos ou a si próprios.

      Não é reservando cotas aos negros que se vai corrigir um problema que está arraigado no íntimo de nossa cultura. O racismo em nosso país é latente, e precisa ser combatido, porém na medida em que se usa o fator cor da pele para se selecionar candidatos à universidade está se praticando o mais puro ato de discriminação, além de se estar contrapondo a uma constituição que prega que ninguém será diferenciado pela cor da sua pele. O que de fato nos fará combater esta praga é incutir na cabeça de cada cidadão brasileiro que o que existe de mais belo, de mais grandioso em nossa raça é justamente essa miscigenação, é essa coisa que nos faz sermos tudo e ao mesmo tempo não sermos nada. Sermos simplesmente seres humanos.

      Quando o Estado começa a dividir brancos para um lado, amarelos para o outro, negros para o outro, está simplesmente fomentando a discórdia, o preconceito, o asco entre as raças. Não se espantem se em breve começarem a surgir universidades só para negros, bairros só para negros, bares só para negros etc. Pode parecer absurdo, mas não está longe de ser uma verdade!

      Se a maioria da população pobre é negra, é porque nós somos em maioria negros. O problema não está na cor, está na pobreza, na má distribuição de renda. É aí que o governo deveria agir.

      Sou totalmente contra qualquer tipo de racismo, mas essas medidas impensadas, a meu ver, além de não corrigirem o problema, terão resultado contrário a quem as idealizou. Ainda é tempo de revermos esta questão. A sociedade tem que se posicionar de maneira mais efetiva. Todos tem que dar sua opinião, não importa se a favor ou contra.        

 



Escrito por sergioguedes.ap às 09h03
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